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INSTRUMENTOS MUSICAIS
setembro 22, 2025FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CAMPINENSE DE LETRAS
O Correio Popular é o depositário dos dias vividos, no dia a dia da fascinante vida e dos eventos históricos de Campinas.
E afigurasse-nos muito importante colher nesse precioso acervo os eventos que marcaram a história literária de Campinas. E nesse contexto, avultam os passos iniciais da Academia Campinense de Letras, seus personagens e também os seus críticos que, nos próximos artigos, verão caros leitores e leitoras e poderão tirar suas conclusões.
Vamos começar lendo o discurso do seu fundador Francisco Ribeiro Sampaio, proferido em junho de 1956 e publicado no Correio Popular:
“ACADEMIA CAMPINENSE DE LETRAS
Saudações aos acadêmicos recém-eleitos.
Declarando aberta a sessão, em primeiro lugar, desejo congratular-me com os membros da Academia Campinense de Letras e congratular a própria Academia, pela escolha certa dos nossos novos companheiros – no momento mesmo, para nós tão grato, em que assumem as suas poltronas neste sodalício.
São todos eles elementos dos mais conspícuos da cidade, inteligências voltadas para as ciências e as letras, cultores do Direito, da Medicina, e nem faltam aqui, para engalanar esta Academia, os brasileiros da túnica e a refulgência da espada de um Coronel. Em verdade, mais uma vez concretizada na figura veneranda do Coronel Waldomiro Ferreira, se averigua que a espada, símbolo de ordem, vai bem com a pena, instrumento com que o próprio Coronel tem perenizado na arte os seus belos sonhos de artista e de poeta de enche mão, os seus entusiasmos de patriota e o seu dom de alma, quando se sente sozinho e solitário.
Quanto aos senhores Esculápios que hoje aqui são recepcionados, pouco tenho que dizer. Foram eleitos por nós todos e ninguém, que eu saiba, fez restrição ao valor deles. Têm obras publicadas, prêmios em Academias, renome nos meios científicos e culturais do Brasil.
Se todos os médicos, no dizer de Aloísio Castro, outro Galeno ilustre, são poetas e cometem versos até nos receituários “uma colher de sopa de hora em hora” é um verso decassílabo perfeito, “Diga trinta e três” é redondilha menor; “tome três vezes ao dia” é uma redondilha, não foi ao certo por essas excelências, comuns ao todos os físicos, é, pois, sem nada de singular nos indivíduos que compõem a ilustre classe, que cá demos entrada hoje ao Dr. José Emanuel Teixeira de Camargo e ao Dr. Francisco José Monteiro Sales.
São eles preclaros cultores da ciência médica, homens de pensamento, espíritos de alto descortino, cujas obras aí estão lidas e celebradas por todos os entendidos em medicina e admirados pela linguagem limpa em que são vazadas.
Os advogados que hoje nos vêm honrar, e a esta Academia, são os Doutores Edmundo Barreto, Paulo Pupo Nogueira, Milton Duarte Segurado. Cultuam, do mesmo passo, a ciência do Direito e as belas letras. Sabem que, sem elas, nas quais eternizam as lições daquela é força não haja razões, nem articulação jurídica que tenha em si a clareza, a beleza, a elegância e o esmero a que aspira todo o homem que escreve com escrúpulo e procura expressar-se numa linguagem escorreita.
E a rapidez (o estilo preciso e veemente) e a direitista que vai certa aos assuntos e o delimita, foca, ilumina, são qualidades infalíveis nos arrazoados de todo o jurista cuja ciência anda de mano a mano com a leitura feita de assento e sobre mão dos nossos clássicos.
O valor das ideias que explanamos – e sabem-no os ilustres jurisconsultos hoje empossados – cresce ao compasso da boa e escorreita fala, que é o estilo, a maneira particular de cada um de nós exercitar a nossa língua.
Todos os conhecemos e admiramos, a esses advogados ilustres cuja compostura intelectual e moral se revê no alinho da textura vernácula do seu fraseado disserto, elegante e castiço.
Também hoje se assentam nas poltronas acadêmicas, seja pela primeira vez, os senhores José de Castro Mendes, Plínio do Amaral, o Prof. Galvão de Castro, e o Sr. Celso Maria de Melo Pupo. Este último, historiador e linhagista dos mais acatados em São Paulo; o primeiro, o Sr. José de Castro Mendes, o conhecido realizador de tantas obras – livros e trabalhos de jornal- nos quais cultua as tradições campinenses; o Prof. Francisco Galvão de Castro, latinista emérito, cultor das ciências sociais, espírito inquieto e ávido de conhecimento e cultura; e Plínio do Amaral, jornalista herdeiro de um nome de alto quilate, que o honra (e ele assinava o nome de suas crônicas e artigos de doutrina) e a um “de cujus” parente, um patrono nesta Academia, Amadeu Amaral, que às nossas letras dava páginas de poesia, de sonho e erudição.
A todos as boas-vindas da nossa Academia”
No nosso olhar no retrovisor da exuberante da Academia Campinense de Letras, distintos leitores e leitoras, vamos reavivando os valorosos e cultos intelectuais que brilharam no cenário da culta Campinas do século XX.
Jorge Alves de Lima
Escritor, historiador, membro da Academia Paulista de História, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Campinense de Letras.

Escritor, historiador e pesquisador da história de Campinas, das epidemias de febre amarela, da vida do compositor e maestro Antonio Carlos Gomes, entre outros temas similares que lhe renderam uma fértil produção literária sobre o século XIX e também sobre as memórias de sua vida.
Graduado em Direito pela PUC-Campinas, mudou-se do Paraná para o município, cidade que ama e adotou como sua. Foi Advogado e Procurador da Prefeitura Municipal de Campinas. É membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, da Academia Paulista de História, do Conselho Científico do Centro de Memória de Campinas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Campinense de Letras, entidade que presidiu entre 2019 e 2024.
Durante sua gestão, promoveu significativas reformas e avanços, com destaque para a revitalização do prédio histórico e o fortalecimento dos laços da Academia com a sociedade. No biênio 2021–2022, representou o Brasil na Comissão do Prêmio Literário Luís de Camões, cujo júri presidiu.
